Frente
Ir em frente…
Cansei das estradas!
Não quero caminhos!
Quero o sossego de uma paragem
Por onde ninguém passa
No aconchego da tua presença.
 
Fazer de nós uma ilha urbana
E sermos um do outro náufragos.
Um chopp
E um abraço
Tomo todas
Mas não erro o passo
Embora tenha me perdido
Por aí, em algum canto
Por puro e puto encanto
De tentar decifrar
Frases em esperanto
Ditas pelo incauto indefectível
Que só me faz esperar
Um chopp
E um abraço
Tomo todas
Mas não erro o passo
Apesar de insistir nos mesmos caminhos tortos
Nas mesmas beiras de abismo
Cismo em cismar abalos sísmicos
Na esperança de te encontrar no tumulto
Teimo a mesma estrada
E vou em frente
E vou em frente
E vou em frente
Se me vires recuar
Segura tua onda,
É presságio de tsunami:
To pronta pra te devastar
Um chopp
E um abraço
Tomo todas
E acerto o passo.

Quem passa é a nuvem

Quem passa é o rio

Quem passa é o vento

Quem passa é o tempo

 

O amor transpassa.

Pronto
Outro “eu” surge
Nesse espaço de tempo
A que chamam vida
 
Outro “eu” com o mesmo nome
Mesma residência
Mas com outro tipo de fome
Sem sentir mais tua ausência
 
Tua história ficou noutro tempo
Da outra que fui e que me abandonou por ti
Tive que me deixar partir
Não tive mais como argumentar
 
Agora a vida vai seguir
Aos poucos vou me descobrir
Um outro desafio surgirá
Não há mais porque lutar por ti.

Do lado

Bem aí do lado

Bem assim colado

Pode estar o teu grande amor

Do lado

Meio assim calado

Um pouco encabulado

Pode estar querendo te dizer

Fui feito pra você

Pode acreditar

Esse amor é pra ficar

Do lado

Bem aí do lado

Bem assim colado

Pra te levar em meu peito aonde eu for

Morei em outra rua

 

Morei em outra cidade

 

Morei em outra esquina

 

Morei em outra clave

 

Morei em casa

 

Morei em apartamento

 

Morei em pensamento

 

Nunca morei em mim mesma.

Não me leve a mal

Mas me entreguei ao Carnaval

Tava de bobeira

Quando vi a rapaziada

Lépida e matreira

Se embolando na calçada

Nada me prendia

Nada me importava

Me joguei na brincadeira

E parti pra o tudo ou nada

Tava de bobeira

Me entreguei ao Carnaval

Deixa de besteira

E não me queira mal.

Novelo

Novo elo

Novelo

No velho

Nomenclatura

No homem atura

Novesfora

Elo.

Quem

Alguém

Ninguém

Já sei contar até cem

Já sei esperar mil desculpas

De quem partiu

 

Quem

Alguém

Meu bem

Já sei correr a mais de cem

Milhas por hora

Ao teu encontro febril

 

Sem

Alguma

Nenhuma

Vergonha na cara

Volto a cair na cilada

Que me partiu.

Tenho passado

Em branco

Mas sigo

Com esperanças de novas cores

E o branco

Conservo

Em volta

Do globo

Ocular

E nos dentes

Que ainda hão

De voltar

A morder teus lábios.

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