março 12, 2011
Talvez por não querer sentir
Me furtei a escrever
Mesmo que fosse fingir
E escrevesse sobre quem não sou
sobre o que não vivi, não vivo, não senti, não sinto
Teria que forçosamente adentrar nos lugares obscuros da alma,
nas grutas, nas memórias amareladas, nas sensações engavetadas,
nos momentos passados que estão nas prateleiras do alto
empoeirados e gastos.
Encontraria de alguns amores apenas as cinzas que restaram atravancando ainda meus espaços
e que impedem que novidades se instalem e se espalhem nos sentimentos adormecidos.
Ainda que fosse fingir um personagem inserido em um enredo e cenário de que não faço parte,
seria difícil não tomar parte
seria impossível não ter sentido
seria improvável não ter vivido.
A vida imita a arte
e a arte não limita a vida.
novembro 21, 2010
É bonita a poesia Não pelas letras que reúne Em palavras que em sonoridade se harmonizam É bonita a poesia Porque e quando retumba aguda Em quem as sente como suas pela semelhança com sua vidaagosto 8, 2010
Deixo todos os caminhos
E todas as estradas
Para quem veio à vida a passeio.
Eu fico com os descaminhos
Eu fico com o tudo ou nada.
maio 28, 2010
Do seguir
Posted by manumanuela under Uncategorized | Tags: no chacoalhar dos fósforos, no ronco da cuíca |Leave a Comment
O segredo é saber fluir
sem temer o que há de vir
sem saber o que vai surgir
sem parar ou tentar fugir
Mesmo sem saber
o que há de vir
Não deixo de querer
Não deixo de insistir
Nesse maluco existir
Mesmo sem demover
todas as muralhas
Hei de conseguir
Vencer a batalha
pois sei persistir
O meu sangue
ferve nas veias
O meu peito
pulsa paixão
E para prosseguir
eu sempre encontro razão
maio 25, 2010
Preciso urgente de um sapateiro pra consertar meus sapatos. Preciso urgente de um livro que instigue. Preciso de uma carta distante de alguém que há anos não vejo. Preciso seguir pra Lisboa, ver o Tejo. Preciso pregar no mural a carta com um percevejo. Preciso de ensejo pra aparecer de novo por tuas bandas. Preciso de uma frase de efeito pra minha chegada. Preciso de um subterfúgio pra não entregar o jogo de cara. Preciso de alguma piada pra quebrar o gelo. Preciso de uma história mal-contada. Preciso de uma carta marcada. Preciso de um blefe. Preciso coragem pra voltar para estrada. Preciso de um bom mate amargo. Preciso de um trago. Preciso de um norte. Preciso dar o bote. Preciso sumir e não ser encontrada. Preciso matar a charada. Preciso da moral dessa história. Preciso de um canto pra dormir essa noite. Preciso da noite. Preciso do escuro. Preciso entrar em apuros. Preciso perigo. Preciso de abrigo. Preciso de ajuda. Preciso sonhar com uma orquestra. Preciso aprender a ser ambidestra. Preciso de astúcia em ambas as mãos pra escrever essa história. Preciso pedir desculpas. Preciso ser perdoada. Preciso te desculpar. Preciso te apunhalar com um golpe preciso de faca. Dessa vez seja homem e não fique de costas.
dezembro 13, 2009
Navega
Na viga
Na veia
Na vida
Assopra essa vela
Assopra a ferida
Te joga na brisa
E ganha o mar.
novembro 2, 2009
Frente
Ir em frente…
Cansei das estradas!
Não quero caminhos!
Quero o sossego de uma paragem
Por onde ninguém passa
No aconchego da tua presença.
Fazer de nós uma ilha urbana
E sermos um do outro náufragos.
outubro 24, 2009
Um chopp
E um abraço
Tomo todas
Mas não erro o passo
Embora tenha me perdido
Por aí, em algum canto
Por puro e puto encanto
De tentar decifrar
Frases em esperanto
Ditas pelo incauto indefectível
Que só me faz esperar
Um chopp
E um abraço
Tomo todas
Mas não erro o passo
Apesar de insistir nos mesmos caminhos tortos
Nas mesmas beiras de abismo
Cismo em cismar abalos sísmicos
Na esperança de te encontrar no tumulto
Teimo a mesma estrada
E vou em frente
E vou em frente
E vou em frente
Se me vires recuar
Segura tua onda,
É presságio de tsunami:
To pronta pra te devastar
Um chopp
E um abraço
Tomo todas
E acerto o passo.
setembro 22, 2009
passeios
Posted by manumanuela under Uncategorized | Tags: engarrAfáveis, escrito a passos |[3] Comments
Quem passa é a nuvem
Quem passa é o rio
Quem passa é o vento
Quem passa é o tempo
O amor transpassa.
setembro 6, 2009
Pronto
Outro “eu” surge
Nesse espaço de tempo
A que chamam vida
Outro “eu” com o mesmo nome
Mesma residência
Mas com outro tipo de fome
Sem sentir mais tua ausência
Tua história ficou noutro tempo
Da outra que fui e que me abandonou por ti
Tive que me deixar partir
Não tive mais como argumentar
Agora a vida vai seguir
Aos poucos vou me descobrir
Um outro desafio surgirá
Não há mais porque lutar por ti.