março 12, 2011
Talvez por não querer sentir
Me furtei a escrever
Mesmo que fosse fingir
E escrevesse sobre quem não sou
sobre o que não vivi, não vivo, não senti, não sinto
Teria que forçosamente adentrar nos lugares obscuros da alma,
nas grutas, nas memórias amareladas, nas sensações engavetadas,
nos momentos passados que estão nas prateleiras do alto
empoeirados e gastos.
Encontraria de alguns amores apenas as cinzas que restaram atravancando ainda meus espaços
e que impedem que novidades se instalem e se espalhem nos sentimentos adormecidos.
Ainda que fosse fingir um personagem inserido em um enredo e cenário de que não faço parte,
seria difícil não tomar parte
seria impossível não ter sentido
seria improvável não ter vivido.
A vida imita a arte
e a arte não limita a vida.